Holografia

Publicado: 18 de julho de 2017 em ficção, terra de dentro
Tags:, ,

DOZE: PS: Eu te amo

Holografia-final

TREZE

Quando os olhos se acostumam à escuridão, qualquer vagalume pode parecer o Grande Sol Brilhando Lá Fora. O vagalume pisca? Ah, é apenas uma nuvem passando diante do Grande Sol. O vagalume se movimenta? São os raios do Grande Sol atravessando as nuvens aqui e ali. O vagalume se apaga? É uma tempestade, nada mais; depois dela – ela passará, todas passam – o Grande Sol voltará a brilhar, pois esta é a sua natureza.

Sim, Ela tinha mania de conversar consigo mesma, como se fosse duas pessoas diferentes, três até. Mas às vezes a Outra Ela assumia outras vozes, outras caras, outros nomes. Chegava a se materializar na sua presença. Agora mesmo ela conversava com uma pequena tela que se projetava à sua frente, interrompendo a visão da saída do túnel.

A tela irradiava uma luz azulada e um tanto irregular, na qual manchas se moviam rapidamente, compondo e decompondo imagens distorcidas. Eram rostos de homens, desconhecidos, mais ou menos jovens, mais ou menos velhos, mais ou menos tristes, super-homens, meninos, palhaços, mágicos, aventureiros, frágeis. Solitários, como ela, procurando a saída.

Os rostos se alternavam sem que ela tivesse muito tempo para percebê-los. Depois de uma sucessão deles, entendeu que se quisesse dar voz e vida a alguma dessas caras precisaria ser rápida.

– Mas para quê dar voz a um rosto que desconheço?

– Veja, garota, você está há muito tempo sozinha neste túnel. Não quer aproveitar a oportunidade de manter um diálogo, ainda que curto, ainda que rápido, ainda que com um desconhecido?

Ela aceitou. Com um toque rápido na tela, congelou um rosto que lhe parecia familiar, e esperou que ele se movesse. O desconhecido sorriu e piscou marotamente.

– Posso entrar?

– Entrar onde? Entrar como?

– No seu túnel. Podemos brincar um pouco.

– Acho que não me lembro de como se brinca…

– Vamos, eu te ajudo a lembrar.

Ela consentiu. E viu como aquele rosto ganhava corpo e se desprendia da tela tal qual uma holografia. Em poucos minutos tinha à sua frente a ilusão de uma presença humana, materializada em feixes de luz que ela podia modelar usando apenas a imaginação.

E assim fez. E deu-lhe nome, passado, presente, ajustou sua altura, o vestiu à sua maneira, desenhou cenários diante dos quais ele se movia, modulou sua voz, compassou suas falas. Eles dançaram, riram, trocaram olhares cúmplices, brincaram juntos de construir futuros. E foi tão doce, e foi tão terno, que mesmo sabendo que ele não passava de um feixe de luz, mesmo sem poder tocá-lo, ela acreditou. E continuou. Porque sentia que algo se desmanchava em seu peito. O Grande Iceberg enfim se derretia e começava a emanar um calorzinho bom, fluindo líquido por todo o seu corpo.

Eu já não me lembrava de como era bom sentir isso! – Ela pensou, mas não disse, com medo de quebrar o encanto. Ainda que, mesmo sem querer, ela se revelasse um pouco mais à medida em que subia a temperatura interna.

Ele, sem ouvir, respondeu. Sorriu e se aproximou, emanando uma luz amarelada e quente. Ofereceu a mão, convidando-a para um passeio. E era tão doce o sorriso, tão aconchegante a luminosidade, que ela, mais uma vez, se entregou à brincadeira. Estendeu a mão – sua mão real – para tocá-lo.

Mas, porém, contudo, todavia… tocá-lo, com sua mão real, era tudo o que ela não podia fazer. No instante em que seus dedos tocaram a imagem – gelada, apesar da luz quente… PUF! O homem se apagou instantaneamente, holografia que era.

Perplexa, desnorteada, órfã da ilusão que havia criado, ela mergulhou de novo na escuridão, se debatendo contra as paredes do túnel e sem enxergar a saída que ainda há pouco estava ali. Chutou as pedras frias, se arranhou nos espinhos secos, esmurrou o ar pesado, gritou, chorou, espumou de raiva.

Como posso ter sido tão tola? Again and again and again… Até quando vou agir como uma menina de esperanças virgens, acreditando que um vagalume é o Grande Sol? Não é! Não é, não é e não é!!! Maldito Sol, malditos vagalumes, maldito túnel que não tem fim!!!

 Adormeceu brigando consigo mesma, encostada a uma parede úmida. Quando acordou, o sangue dos arranhões já estava seco, apenas o coração lhe doía, uma dor quente e viscosa. Levou a mão ao peito e por pouco não se queimou: bem ali, no centro do seu corpo, exatamente no encontro da linha que vai de um seio ao outro com aquela que une a cabeça ao sexo, ardia uma bola de fogo. Sim, era ele, O Grande Sol Brilhando Aqui Dentro.

Ela sorriu e o agarrou com força. Que me queime as mãos, que me importa? De que me servem as mãos sem O Grande Sol?

 Segurando firme o seu coração em brasa, levantou-se e procurou a saída. Ela estava lá, onde sempre esteve.

Vamos, que já é hora!

 continua…

Jardim de mulheres

Publicado: 29 de maio de 2017 em vida real
Tags:, , ,

IMG_2870

O sino da tarde acaba de tocar e me devolver à realidade. Sessenta e seis badaladas em vinte e dois lotes de três: tóooommmm tom tom……. tóooommmm tom tom……. a primeira bem longa e aberta, e depois duas outras, secas e rápidas. Um aviso e duas advertências, um chamado e dois lembretes.

Desde que me instalei neste apartamento numa esquina chanfrada do Poble Sec, terceira planta na escritura mas quarto andar na vida real, tento decifrar os padrões que definem as sequências de badaladas que invadem meu campo auditivo diariamente às 12h e às 18h45 – aos domingos elas começam às 11h. Tudo o que sei depois de quase dois anos é que o enorme e estridente sino não é tocado por mãos humanas, mas por um badalo movido por algum botão que alguém aperta, sabe Deus onde, sem sequer subir as escadas que levam ao quarto andar.

Jardim-003

Sim, o sino se encontra exatamente na altura da minha janela escancarada para a rua, em linha diagonal com a pequena igreja na esquina em frente. Seu som entra como uma bateria estridente em meus pensamentos que quase sempre vagueiam pelo éter de uma existência cada vez mais cheia de perguntas. Às vezes compõe uma trilha sonora respeitável, em outros momentos simplesmente tapo os ouvidos – too much for me.

Jardim-010

A arquitetura do edifício pequeno, pintado de bege, me remete a uma antiga mesquita, como tantas outras instaladas nos bairros populares de uma Barcelona outrora ocupada pelos mouros e convertidas em templos cristãos depois do reinado de Isabel, a Católica. Lá dentro o ar é morno, esverdeado e triste, mas nas tardes de sábado o ambiente ganha as cores e flores dos casamentos que movimentam a vizinhança com o estardalhaço dos momentos felizes.

Jardim-004

Sempre imaginei que a igrejinha levasse o nome da Virgem dos Remédios, padroeira da rua, mas não: descobri ao entrar que, por alguma razão misteriosa, é dedicada à Virgem de Lourdes. Não sei qual das duas – sou analfabeta em santos e rezas -, mas creio que alguma delas me cuida em silêncio. Ambas, talvez.

Jardim-005

Aqui sou feliz de um jeito calmo, como se sentar à janela escancarada para o templo e examinar sem pressa as torres e os telhados recortados contra o céu azul de Barcelona me esvaziasse das tormentas que me trouxeram até aqui.

Jardim-006

Estou segura de que as Virgens caminham comigo pelos jardins do Montjuic quando decido subir os infinitos degraus da montanha que descansa atrás de mim e me acolhe em uma franja lateral. Como no passeio desta manhã pelo amplo jardim onde mulheres talhadas em mármore branco saem nuas do gramado forrado de margaridinhas e outras miudezas brancas, azuis e amarelas – filhas da terra, rebentos da Primavera. À primeira vista seus corpos parecem de pedra, mas um olhar atento pode revelá-las dissolvidas na exuberância da natureza ao redor, transpirando a mesma maciez da penugem do gramado, vibrando como a minha pele de mármore branco pontilhado de marrom que se confunde agora com a relva.

Jardim-011

As margaridinhas me fazem cócegas… Sentirão o mesmo as Vênus e Madonas que emergem, serenas e eternas, do tapete primaveril? Aqui a Beleza surge do coração da fonte, distraída; ali, contempla a cascata, sentada sobre os calcanhares; mais adiante, ela apenas espera, sem nada desejar; em outra fonte, brinca com o querubim que a observa encantado, e a quem lança um olhar malicioso. A água passeia levantando espuma, içando vapores. O sol estoura sobre nossas cabeças e nos unifica – sou eu a Vênus de pedra que se espreguiça no gramado, prescindindo de pudores?

Jardim-012

Hora de voltar para casa. Com cuidado me levanto e busco caminho entre as flores, mas são tantas e tão miúdas que quase preciso flutuar. Volto ao apartamento de janelas amplas e luz escancarada com a leveza de quem abriu caminho entre uma nuvem de margaridinhas. Flutuo.

Jardim

PS: Eu te amo

Publicado: 6 de abril de 2017 em ficção, terra de dentro
Tags:, ,

ONZE: Sem nome

luz

DOZE

Quanto tempo faz que estou caminhando?

Noites incontáveis haviam se passado desde que ela pensou adivinhar a saída. Está logo ali, eu a vejo! Só uns passos mais! E mais alguns. E outros. Ela já estava exausta e continuava no escuro. Nem uma fresta no paredão de silêncio.

E de repente estourou. PUM!!! Nem a terra tremeu nem o túnel se iluminou, mas o estrondo foi enorme. Algo havia caído à sua frente. Algo havia sido enviado ali para ela. E esse algo repousava agora a dois centímetros do seu corpo.

Tateou. Era frio, metálico talvez. Retangular, três dimensões. Uma caixa? De metal? Tateou um pouco mais. Encontrou uma abertura em linha reta numa das laterais da caixa. Enfiou o dedo ali, só cabia um. Lá dentro pode sentir que havia papéis. E uma pequena alavanca metálica na parede interna da caixa, que ela tentou mover com a ponta do indicador metido lá dentro.

Quando a caixa se abriu, se fez a luz. E que luz! Intensa, amarela, envolvente. No clarão ela viu tudo ao redor e se certificou de que, sim, aquilo era um túnel, longuíssimo, estreitíssimo, escuríssimo, e Ela estava só.

luz-001

Mas o que importa agora é a caixa!

Era uma caixa de correios, destas esmaltadas que se penduram nas grades das casas, pintada de azul e com a inscrição em branco: CARTAS.

Lá dentro encontrou várias. Todas em envelopes brancos, cuidadosamente endereçados a ela em caligrafia caprichada.

Abriu o primeiro envelope. Nenhuma palavra. Apenas uma foto em preto e branco impressa em papel fosco com seu retrato em 10 X 15. Um close. Ela devia ter uns 30 anos, 29 talvez. Sorria, mas era um sorriso contido, quase malicioso, não um sorriso desabrido. Chegou a pensar que era um sorriso sério, mas que anunciava uma gargalhada dois segundos depois. Os olhos eram brilhantes, o olhar firme, direto e certeiro. Os cabelos, enormes, volumosos, uma legítima juba. Era Ela, mas não era Ela. Eu já fui assim?

Vasculhou o envelope mas não encontrou mais nada. Tinha um nó na garganta, queria saber mais, e partiu para os próximos. Estavam abertos. Eram cartas já lidas, esquecidas no fundo de um baú qualquer. Enviadas – todas – pela mesma pessoa. Um amigo morto.

Abriu a primeira. Antes de terminar a leitura, já podia ver o amigo bem ali à sua frente, dizendo: Você pode mais! Você é melhor do que isso! Com aquele jeito ácido que ele tinha de dizer duras verdades e contar em seguida uma piada que a fazia gargalhar por horas.

Ela riu. E gargalhou. E reviveu episódios de uma Ela da qual Ela não se lembrava. E conversou longamente com o amigo que lia para Ela suas antigas cartas ali no túnel. Discutiu com ele, argumentou, calou, repassou uma infinidade de personagens que Ela mesma havia encarnado nas últimas décadas.

Décadas? Onde eu estava que não vi a vida passar? Deus!!! Há quanto tempo estou neste túnel???

Um carrossel de perguntas fazia sua cabeça girar enquanto o amigo continuava lendo os papéis amarelados, lembrando a vida vivida, comédias, singelezas, dramas, guerras vencidas e perdidas, escorregões, amantes, amores. Até que ela começou a se lembrar. Encarou a outra na foto e quase se reconheceu. É verdade, eu já fui assim!

luz-002

O amigo agora projetava um filme na parede do túnel. O cenário era turbulento, caótico, incerto. Imagens de lugares e pessoas se moviam rapidamente ao fundo, e em primeiro plano estava Ela, olhando resoluta para a câmera, com o meio sorriso da foto, o mesmo brilho nos olhos, a mesma malícia na expressão. O cenário mudava, mas Ela permanecia ali, encarando a câmera como quem tem 30 anos e toda a vida pela frente.

Ok, mas agora, aos 50, estou mais perto do fim.

Fim? Que fim? – perguntou o amigo morto.

E leu para Ela a última carta que havia na caixa. Poucos anos antes de morrer, o amigo lhe contava seus dramas e peripécias, as dúvidas, os rompimentos, os recomeços, chorava,  pedia colo, soltava suas críticas ácidas e ria das próprias piadas. Dizia que tinha saudade de suas comidinhas. E terminava com um PS: Eu te amo.

Ela desabou a chorar por horas a fio. Quando se deu conta, o amigo já não estava ali, e só lhe ocorreu olhar para o céu imaginário e gritar, as mãos erguidas:

Por que você tinha que morrer, caralho!!!

O grito ecoou pelo túnel até desaparecer lá no fim, onde agora ela podia ver com absoluta clareza: A Saída.

Estou vivaaaa!

Caminhou alguns passos e estava lá. Ou quase…

luz-003

continua…

Eu-Cerrado

Publicado: 5 de janeiro de 2017 em vida real
Tags:,

Existe um lugar no mundo ao qual cada pessoa pertence.Eu pertenço ao Cerrado.

Meus olhos são feitos da infinitude de seus planaltos, onde árvores de troncos ásperos e retorcidos povoam solitárias imensos milharais, como anciãos pontuando a modernidade com sabedoria ancestral.

Em minha retina estão tatuadas as três faixas do horizonte à beira do estradão: terra-vermelha, campo-verde e céu-azul, em janeiro manchado de cinza pelas nuvens que vem regar a plantação.

Do barro morno e vermelho de seus barrancos é feita minha carne; em suas cachoeiras minha alma nasce, nas corredeiras de pedras mornas e sem arestas.

Seus matos tem cheiro de antigas memórias, vida que queima e renasce em ciclos sem fim. Em seus riachos corre meu sangue quente, em suas curvas discretas minhas convicções derrapam. Me reconheço, solitária, em suas chapadas de morros tristes, aparentemente despovoadas mas cheias de tesouros ocultos.

Eu moro mesmo é nos pés descalços dos seus meninos de pernas finas, batendo bola nos terrenos baldios na beira da estrada, levantando poeira para colorir o por do sol.

Quando sorrio não sou eu, é o seu ipê amarelo gritando alegria contra o céu prateado de setembro, raro, breve e intenso, e nas tormentas de outubro me lavo para o Ano Novo e bebo a rebeldia dos seus ventos e torrentes.

Antes do cerrado eu era um corpo que não se entendia com sua alma. Aqui encontrei meu lugar, corpo-terra, mente-árvore, alma-cachoeira, toda-chapada, toda eu retorcida e plana, anciã e ipê, queimada e tempestade, eu-cerrado, meu cerrado. Meu lugar de ser.

Sem Nome

Publicado: 1 de agosto de 2016 em ficção, poesia, terra de dentro
Tags:, , ,

DEZ: Papo com Eros

Sem Nome

ONZE

Falta fé. Ou Ela não é tão especial como se pensa.

O túnel está chegando ao fim – Ela sabe – e nenhuma luz surge no horizonte. Pelo contrário. A escuridão é cada vez mais densa, como se a caminho de uma noite eterna.

E nesta noite não há estrelas, há equívocos.

Esgotada até a última de suas vértebras, Ela se reclina numa pedra que não vê. Ignora as dores que perfuram seus músculos. Não tem forças para se desesperar. Dorme. Apenas dorme. Por dias, meses, anos.

Sonâmbula na escuridão, constrói uma caverna com as próprias mãos, a caverna dentro da caverna. Nas paredes virgens de terra úmida, vê projetados os sonhos que lhe visitam na dormência. Delírios, pesadelos, enganos. Homens que vêm e vão sem deixar palavra.

As palavras estão nela, e queimam. Ela as vomita num jorro com cheiro de mato fermentado. Acorda e encontra o vômito já meio seco estampado no barro, de sua letra e punho:

Já não te amo, mas isso que importa?

Já não te amo como amei um dia.

Amo os amores que senti – sentimos?

os amores que vivi, desvividos.

Deles em mim restou a névoa

branca, embrumada, de céu anuviado,

água de lago à qual se lança uma pedra.

Ondas concêntricas tragando memórias.

.

Já não te amo, mas isso que importa?

O arco de teus braços mornos e firmes

os silêncios de teus olhos sorridentes

a doçura com que desnudas o sal em mim

– isso e o teu jeito de derrubar meus muros

e me penetrar pelas entranhas da alma –

podem me conduzir de volta à casa

– ilusão? miragem? – à casa que perdi.

.

Já não te amo, nem teu nome lembro

– mas isso que importa? Estás por aqui

por ali, em toda parte tua sombra

adivinho nos escaninhos do tempo.

Intensidade perdida, poesia abortada

temporais que não ousei, tapumes que hasteei,

placitudes forjadas na brasa do medo

tua ausência tua ausência tua ausência.

.

Já não te amo, e te amarei desde sempre

– mas isso, te juro, isso não importa.

Tu que tens o nome do desconhecido

grafado em vão com letras sôfregas

de um alfabeto que não decifro.

Tu que evaporas antes de existir

éter, quimera, comichão,

imagem e semelhança da minha ilusão.

Chora, chora por horas a fio, e com as lágrimas se banha, limpando a poeira da caminhada. Ainda com a pele úmida, docemente salgada, Ela ensaia uns passos. Demora a recobrar o equilíbrio.

Não estou pronta, mas já é hora de sair do túnel.

Tateia no escuro, descalça, nua, frágil, tonta. Apressa o passo. Adivinha – apenas adivinha – a saída. E vai.

continua